sexta-feira, 4 de março de 2011

Grito de carnaval.













Penso em, ministrar a abertura da jaula.
Se tem que ser, se posso ser, porque não sê-lo?

Deixarei meus bichos com habeas corpus, por tempo determinado.
Hei de me permitir,  pular,  sacudir, chacoalhar, dentro e fora do ritmo.

Caso eu atravesse o samba, façam ouvidos mocos.
Dêem uma de doidos.
Lembrem-se que a data, me possibilita, ir além e chegar um tantinho mais pra lá.

Vou manter o otimismo, na comissão de frente.
O fervor que tenho aqui dentro, no abre alas.
Acreditar que haja o que houver, na quarta-feira, serei passiva de absolvição.
Então, deixarei cair.

Vejamos se esta festa carnal, me consome.
Quem puder mais, fica mais completa.
Abraçarei todos os ritmos, sambarei nas pontas.

Tenho vontades em gritos, desejos não domados.
Ânsias bem desenvolvidas, aconselho aguardarem os resultados.

Cristiane, gritando.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Momentâneas VI


Ontem foi comemorado no mundo todo o tal do Valentine’s Day, eu optei por dar uma de doida, mas hoje, me sinto no direito de digitar umas poucas linhas.

Lembrando que por questões comerciais e de ganhos materiais, aqui no Brasil, mudaram a data, pelo simples fato de em Fevereiro termos o carnaval, e nossa economia e o consumismo já ficarem bem movimentados.

Tem coisas que parecem vir à calhar, que se não fosse minha fé, diria que teria sido coincidência ou acaso, porém, sou 70% água e 30% fé.

Fomos chamadas para uma reunião, intrigantemente naquele dia, somente as ditas, soltas.

Lá fomos nós soltas, o mais intrigante ao meu ver, presas em nossos questionamentos, lamentos, planos, experiências passadas e até pelas não passadas.

Foi derramado ali uma experiência impar, alguns relatos tímidos, outros nem tanto, que me deixaram algumas certezas, muito se tinha, muito podia-se levar, das sementes que ali foram semeadas, se não tivermos uma floresta, vai nos ser o bastante um jardim .

Cristiane, feliz no Valentine’s Day dos gringos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Preguiça.



Tem uma música do João Nogueira, que diz:
-Vou deixar pra amanhã!

Eu confesso, as vezes faço jus à esta afirmação, é uma preguiça tamanha que me toma, que eu já sem forças, deixo me envolver, deito a cabeça no colo dela, deixo que afague meus cabelos, faça caracóis com os dedos, relaxo e ali adormeço.

Fico lá acolhida por tempo indeterminado, quando dou por mim, perdi a hora,  muito mais coisas ficam pela estrada.

Levando afoita e saio descabelada, batendo a canela em quinas, escorregando no banheiro, blasfemando enraivecida.

Pareço uma velocista, correndo atrás de determinadas coisas nesta vida.
Meu bom Pai do Céu, permita que eu tenha fôlego suficiente para o corre-corre e
claro, para as blasfêmias, sempre bem vindas.

Tomei um certo gosto pelo vucu vucu do meu dia a dia, mas tem dias que acordo um tanto Dorival Caymmi, também penso em botar meu chapéu de palha e ir para Maracanguaia.

Cristiane , abaianando-se.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Momentâneas V.

Hoje, li sobre voltas e devo confessar, fiquei um tanto quanto, mais tonta.

Rodopiei no passado, tropiquei no presente, Deus queira eu não caia quando chegar a vez do tal futuro.

Essa coisa de volta, me remete à matemática, física e me joga em um bom português, onde leio, em letras garrafais, um alerta sobre  o me perder de mim.

Tomara esteja eu sendo tão confusa, quanto me encontro, ou seria desencontro momentaneamente nesses últimos anos. Faço votos que meu interlocutor também me desentenda e assim possamos nos entender, no decorrer.

Não creio estar usando dialetos, muito menos valendo-me dos meus não tão bons dons, de confundir. Apenas, não se esclarece o que não se tem claro.

- Fui clara?

Cristiane, envolta.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Martelo,bigorna * Lenine*




Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço

Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo

Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna

Vou certo
De estar no caminho
Desperto.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Tenho pra mim .




Após tantos chamados, meu queridinho, chega dia após dia, forte, ardente e ardido.
Dias de sol, sem chuvas, poucas nuvens desenhadas no céu.
Tenho pra mim, que arder é conseqüência, bem vinda.

Depois de um janeiro envolto em lágrimas, mesclado de grandes perdas e alguns ganhos, há de se ter um fevereiro de reestruturação.
Um mês mais curto, repleto de possibilidades para planos mais longos.
Tenho pra mim, acreditar é fato e lamentar é opção.

Venho de uma batida forte de trabalho, um estalar de chicote todos os dias bem certeiro e uma digamos, falta de tempo, para camuflar minha desorganização, constante.
Trupico aqui, caio acolá e levanto equilibrada mais à diante.
Tenho pra mim, que muito do que sou hoje, já era ontem.

Certa de um alicerce bem construído, chego com estruturas abaladas, porém, parto inteira.
Lido com a frase reconstruída por mim:- Pouco com Deus, fica faltando muito !
Blasfemo, mas arco com as conseqüências.
Tenho pra mim, que nem toda a nudez será castigada, ainda mais a das palavras.

Entra ano, sai ano e eu continuo com a máxima: - Do muito que tenho, muito ainda me falta.
Mesmo ganhando flores, (aliás, gradicida), ainda saio pelo mundo em busca de vasos.
Tenho pra mim, que isso é ser e estar viva.

Cristiane, tendo algo pra si e fazendo o meu!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tese.




A gente faz assim, dorme pra descansar, para no outro dia poder exagerar.

Acordamos sonolentos e dormimos acordados.

Nós vamos, mas vamos já planejando a volta.

Organizamos a vida, com o intuito de algum dia poder desorganizar.

O elas por elas, muitas vezes interessa! O zero a zero é jogo ganho!

Nas horas que valorizamos a zona de conforto, Zeca Pagodinho vira filósofo, com a célebre frase: Deixa a vida me levar.

Quando ela leva, a gente cisma de voltar.

Nossos pedidos à Deus, nunca são bem claros, para termos como reclamar.

Nunca era bem isso que dissemos, sempre temos um adendo, uma observação, um alerta no rodapé.

Na tentativa de fazer a Língua Portuguesa infartar, abusamos de pleonasmos viciosos e gírias que venham à calhar : Às vezes caímos pra dentro e depois corremos no intuito de sair fora.

São tantas e tantas desculpas, totalmente cabíveis e aceitáveis, que no dia seguinte, o que nos resta é ter fé.

Abusar dos res, é exercício diário, reestruturar, reorganizar, reenergizar,re-vergonha na cara tomar.

Procurar orifícios na lei que nos favoreça, é genético, nos sentirmos injustiçados é fato.

Na divisão, gostaríamos de ficar com a maior parte, não por egoísmo, mas por merecimento, claro, merecimento este contabilizado e medido por nós mesmo.

No frigir dos ovos, a verdade nua e crua, sobre nós mesmo, nunca é bem digerida, mas o ser humano, na tentativa de ser humano, salpica um temperinho e ela desce redonda.


Cristiane, introspectiva.