quarta-feira, 13 de julho de 2011

Nem tudo, muda!


Eu tinha mudado os móveis de lugar.
A cor do cabelo.
A forma de me arrumar, o jeito de andar!

Não falava mais, sobre alguns assuntos.
Minhas gargalhadas, agora eram mais escutadas.
Mudei o curso.
Desviei o rio!

Chego e saio em horários, nada óbvios.
Minha ginecologista, não é mais a mesma.
Eu, não sou mais a mesma.
Mas continuo me sentindo, igualmente, bem!

Dentre tantas alterações, mudanças e adequações...
Esqueci de mudar o esconderijo, da chave.
Até mudei o capacho, mas ... esqueci de tirar a chave.

Quando ele chegou, eu estava no mesmo lugar.
Sentamos na mesma posição, à mesa.
Terminamos aquele assunto, interrompido anos atrás, como se houvesse apenas uma pausa, de uma tosse.


Avisou, chegou, entrou!
Desarrumou-me, desconcertei-lhe.
Encontrou-me, reencontrei-lhe!
Visitou-me como se nunca houvesse, partido.


Ele deitou no lado dele, da cama.
Minha.
Eu adormeci no ombro, esquerdo dele, como de costume meu!

Cristiane, agora já acordada, mudada!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Deixando chegar ou indo lá!


Contrariando, os alertas, os pedidos, o tempo perdido.
Sobrepondo-me à minha coerência, burlando a minha consciência.
Enganando-me, quanto às conseqüências.

Sabendo do grande risco, do precipício que me circunda, eu vou de salto, bem alto.
Arriscando-me ao máximo, porque foi assim que aprendi, viver.
Só assim, me sinto viva.
Ciente, da dor que me leva e da dor que posso trazer, vou em busca do que tiver que ser!

Economizar-me, não é opção.
Pago o que tiver que pagar, divido, parcelo, debito.
Chego já com juros acumulados, dificilmente não sairei endividada.
Não deixarei sujar meu nome, porque a honra e a fé me fazem cândida.
Eu pago!


Medo, eu tenho até de cair no banheiro pela manhã.
Mas a pressa no viver, me fazem não lembrar, esquecer.
Venho de um desassossego tamanho, que muito não se há de mexer.
Tsunamis e erupções à parte, deixe vir...
Vamos ver...

Sem desculpas, sem justificativas.
Desnecessário se faz, qualquer alusão à qualquer porque.
Porque?
Pelo simples fato, de que meu viver não tem manual.
Pelo simples fato, que meu livre arbítrio, é livre, tão livre, quanto eu demonstro.

Sim, dificilmente escondo meus anjos e meus demônios.
Levo-os para passear, publico fotos no face, perigas se jogarmo-nos no Google, aparecermos de rostos colados.
Vergonha eu só tenho, do que “ ainda “ não fiz.

Cristiane, jogando-se!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Perigo...


Quando menos se espera, quando mais se deseja, ele chega!
Burla esquemas táticos de proteção, pula muros, abre portões, chega pela porta dos fundos, entra por qualquer vão.

Chega sorrateiro, mas como sempre alvoroçado, abre cadeados cuidadosamente, mas quebra janelas.
Pede silêncio aos berros, incoerente, chama que queima, arde, congela.

Vem avisando o fim da calmaria, do desespero sem sustentação, do não querer, não!
Eu, tremo.
Eu, Ardo.
Eu, hoje, não corro.
Vai que, amanhã morro!

Vou me equilibrar nesse fio tênue, pra um lado mato, por outro morro!
Vou vestida sobriamente de medo, paramentada de desassossego.
Levo um tanto de fé, um tiquinho de coragem, um muito de amor.
Pego carona, com a persistência, tendo no banco traseiro a incerteza.

O perigo vem, eu vou!
Enfrentá-lo?
Jamais, vou parceira, deixar claro que os riscos que ele me oferece, tenho estoque, mas aceito de bom grado.
De mãos dadas, dedos entrelaçado e corações batendo disritmado.

Periga de um correr, do outro não querer.
Periga de nada acontecer.
Do fogo na palha não pegar.
Mas...
Periga do celeiro todo, queimar.

Acredito que persistir no erro, é tentar de novo de outro jeito!

Cristiane, perigando!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sei que me sentes.


Dificilmente eu poderia discorrer sobre o assunto, pautar uma base, uma linha de raciocínio convincente, mas creia, eu sei.
Algo me diz, me faz sentir, esclarece e mostra de forma tal, que me convenço, sim eu sei.
Sei que me sentes.

Poderia jurar, que no meio desse nada, desse oco, desse agreste, deste clima árido, existe sim, vida à bordo.
Em meio a tantas faltas, tempo, contato, disposição, resolução, empolgação e até digamos opção.
Sobra, uma sensação forte, de que me sentes!

Realmente não existe explicação e ponto.
Parto do princípio, que existe recíproca no sentir.
Acordo e adormeço com essa certeza.
Sinto que me sentes!

Cristiane, sentida.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Amar de menos!

Meu amor, podia ser menos, bem menos.
Metade, um terço, um tiquinho a menos que fosse!
Parcelado, dividido, disfarçado.

Em segredo, escondido, menos sofrido.
De verão, de inverno, não importa, importa que alternasse a estação.
Ficasse lá no litoral, não me seguisse não.
Platônico, anônimo,até de ocasião.

Meu amor, podia ser por interesse, por desinteresse, por provocação.
Mentiroso, falso, canastrão.
De mentirinha, de faz de conta, em vão.
Sexual, material, menos de emoção.


Morno, gélido, em banho maria, menos com essa pressão.
Visual, hormonal, inconstante, jamais por opção.
Que fosse liberal, de um aceite normal, sem cobranças, sem contagem de tempo, não precisava durar tudo isso não!

Meu amor podia acabar, não me sentenciar, ter fim, me liberar.
Ser qualquer coisa, de qualquer jeito, mas como ele é não!
Ter prazo de validade, tempo de vida contado e não fazer aniversário.
Me trazer paz, me poupar da decepção do nunca mais.

Cristiane, imaginando como poderia ser, amar de menos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O que já foi dito!


Já falei sobre a incapacidade do ser humano em ser humano.
Do desejo que vejo, de cada um ser mais e igual ao outro.
Da não aceitação das diferenças .
Da falta que nos faz, alguma crença.

Já corri assunto, sobre a normalidade da irregularidade sentimental.
Da vergonha alheia, nos ser tão banal.
Da ausência do outro ser coisa de ego, passional.
Dos desatinos terem inicio, em nosso desajuste hormonal.

Já citei Chico,Drummond, Neruda e Alcione.
...Que saudade é o pior tormento, é pior que o esquecimento*
...Também temos saudades do que não existiu , e dói bastante*
...Saudade é amar um passado, que ainda não passou*
...Minha estranha loucura, é tentar te entender*

Já foram tantos e tantos textos e ainda há tantos e tantos sentimentos.
Tantos e tantos argumentos.
Tantos e tantas possibilidades.
Tantos e tantas justificativas, que me vem a nítida impressão de que nada do que eu já disse, foi em vão.

Cristiane, ainda tendo o que dizer.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

E O Mundo Nao Se Acabou*Adriana Calcanhotto



Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...

E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...

Chamei um gajo
Com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele
Mais de quinhentão...

Agora eu soube
Que o gajo anda
Dizendo coisa
Que não se passou
E, vai ter barulho
E vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou...


Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar...

***Queridos, só fiz tudo isso, porque me garantiram...que o mundo ia se acabar rssss*