terça-feira, 21 de maio de 2013

Parte Dois ( de coisas a te dizer)



Não me julgue...
Sou de voltar ao passado.
Remexer gavetas...
Abrir baús.

Remoer dizeres, querer cobrar afazeres.
Volta e meia, me apego às picuinhas antigas.
Vasculho ressentimentos, volto à estaca zero, dos sentimentos.

Guardo cartas, papel de presentes, retratos e mágoas.
De tempos em tempos, reciclo.
Rasgo, boto fogo, direciono ao lixo.

Quando a saudade me cata...
Não tenho forças para correr.
Não desejo resolver.
Emaranho-me nesse tempo curto...que me dou pra sofrer!

Cristiane, sendo clara.

Parte Um ( de coisas a te dizer)



Ontem, quase não dormi.
Semana passada, quase não vivi.

Vai tempo, que ando assim...
Parada, incomodada, aflita.

Levei o dia todo para te escrever...
Para decidir, separar, esmiuçar o que dizer.

Peneirar foi o mais difícil.
Por mim, despejava tudo na integra.
Mas... tenho um consciente, que teima em não submeter-se.

Engasgos à parte.
Queixumes, na fila.
De hoje não passa, hoje se firma.

Cristiane, reprimindo.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Vá...zio!




Noto que me falta algo, quando  ainda pela manhã...
Me pego  enlouquecida no guarda roupas.
Arremessando peças por cima dos ombros.

Falando sozinha, maldizendo o tempo que teima em seguir seu curso.
- Como ousa  passar, quando meu desespero não passa!

Percebo meu estado um tanto mais estranho, que o de costume.
Quando, corro no meio da casa, procurando a escova de cabelo, que está na minha mão.
Grito, xingo, pulo.

- Qual a necessidade de se esconder de mim, porém comigo?!
- O que ganha, me irritando assim?

Em dias assim, ao detectar-me... rezo a ladainha do ...
....acalme-se, acalme-se, Deus por favor... acalme-me!

Grito pra dentro e ouço minha própria voz!
Grito pra fora, você continua mudo, não te escuto.
Tortura sem clemência, um ser humano dado ao transbordo, vazia sentir-se!

Cristiane, estranhando o eco.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ponto.



Qual a necessidade, de distanciar?
Quando o corpo quer presença...
Toque, te acariciar.

Qual o motivo, do não me falar?
Já que a voz não quer cessar, quer gritar...
Gemer, balbuciar, agonizar.

Fico eu aqui e você lá!?
Ficam nossos corpos, desajeitados em outros leitos.
Fica meu coração, quando te vejo, pulando do peito.


Cristiane, indagando.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

4 ponto 0



Cheguei...catando cavaco, sambando ao som dele.
Sem cirurgias plásticas reparadoras, mas também muitas vezes, sem a vestimenta de caimento perfeito.
Abusei das madeixas de fios ruivos, dourados, acobreados, hoje alguns esbranquiçados.
Sempre gostei de tudo exagerado, quanto mais sobrar, mais posso doar.
Não me incomoda o transbordo, sou dada à dizimas periódicas...amores, saltos,cores de esmaltes, fé, echarpes, bolsas, saúde, amigos e havaianas.
Meus vícios já foram fixos, hoje são itinerantes.
Viajei, fui lá, cá, ali e acolá, quando chegava aqui, era tanto trabalho a me consumir!

Cai e levantei dançando.
Só de marra!
Chorei e voltei a sorrir gritando.
Só de sacanagem!
Desisti e recomecei...
Só por birra!
Fingi que ia e voltei...
Só de picuinha!

Diz os que me amam que, eu soube dosar.
Diz-se a boca miúda, que uma dose é pouco pra eu bebericar!
Gosto de me mostrar, gosto de provocar.

Coleciono derrotas, vitórias, rolhas e planos.
Contabilizo a vida, como quem rouba no truco.
Me favoreço!
Me superfaturo!


Cristiane, estreando idade nova!











Insistentemente....



Há vida em mim...
Uma vida que borbulha, às vezes morna, quase sempre ferve!

Cuido para que o tempero seja ardido, que os condimentos sejam selecionados.
Gosto que após esta degustação, o vício seja  a única opção!

Sou um tipo exótico de mexido variável, assim posso... denominar-me.
Mesmo os meus restos, são proveitosos.

Gosto de ludibriar os olhos alheios, com meus resultados.
No entanto, o melhor é  saber-me feitora  do processo por inteiro... inteira.

Cristiane, com um astral infernal.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Receita para dias difíceis...



Faz-se necessário, enquanto o sofrimento não me abandona...
Que eu neste caminho... escute aquela música que me traga  boas lembranças.
Não  uma melancólica, nem mesmo uma que me faça sentir saudades, uma música que balance minhas estruturas.

Ao acordar, enquanto sou obrigada a pensar em estratégias, para ultrapassar as barreiras do meu hoje, eu vou levantar  alguns minutos mais cedo e vou me maquiar, vou por um salto confortável, uma roupa que eu me sinta mais, eu disse mais, bem vestida.
Com qual força?
Com a força que Deus vai me dar!

Quando o apetite não colaborar, eu vou morder uma maça bem vermelha, como quem está realmente mordendo o fruto proibido, no melhor sentido da palavra.
Vou me alimentar de um fruto, que pode me proporcionar uma reviravolta na vida.
Vou sorrir de canto de boca, vou agradecer a fraqueza de Adão.

Para aquele momento do desespero, quando não se tem tempo, local e nem mesmo momento propício, para deixar que as lágrimas inundem meu rosto, eu vou engolir seco, ainda que  com o olhos molhados, vou procurar tremula um batom na bolsa, vou passar, apertar bem um lábio no outro, vou pensar... força!

Se o abraço dos amigos, dos familiares e dos menos conhecidos, não estiverem fazendo mais o efeito necessário, vou encontrar um acalanto, ao me olhar no espelho, vou dizer a mim mesma...

Hei.. mulher bonita, acalme-se, pra tudo tem jeito.

Cristiane, clinicando.